Treinamento de Força como Melhoria nas Atividades Diárias dos Idosos
Autor: Gilson Gomes Dantas (este artigo contém parte de sua Monografia para conclusão do curso de Educação Física).
À medida que as condições gerais da vida e o avanço da ciência têm contribuído para controlar e tratar muitas das doenças responsáveis pela mortalidade, a população, tanto dos países desenvolvidos como da maioria dos países em desenvolvimento, tem incrementado a sua expectativa de vida nos últimos anos. Esta tendência global tem levado a ciência, os pesquisadores e a população em geral, a procurarem cada vez mais soluções para tentar minimizar, ou, se possível evitar, os efeitos negativos do avanço da idade cronológica no organismo. Cada vez mais se pesquisam formas de deter, retardar o processo de envelhecimento, ou estratégias que garantam uma manutenção da capacidade funcional e da autonomia nas últimas décadas da vida. As pesquisas realizadas nos últimos anos têm analisado praticamente todos os aspectos referentes à saúde, à aptidão física e às doenças físicas do processo de envelhecimento.
Os estudos das últimas décadas têm enfatizado especialmente a relação do nível de atividade física com a prevalência dos principais fatores de risco, como: a longevidade; o nível de atividade física com o decorrer dos anos; a prevenção; o controle e o tratamento das principais doenças crônico não-transmissíveis que surgem em decorrência dos efeitos deletérios do processo de envelhecimento; os efeitos da atividade física nos aspectos psicológicos, sociais e cognitivos dos indivíduos que envelhecem; os efeitos dos programas de atividade física exercício nos aspectos antropométricos e nos aspectos neuromotores (Okuma, 1998, ``p.111``).
Uma vez que grande parte dessas evidências epidemiológicas sustenta o efeito positivo de um estilo de vida ativo (e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física ou exercício) na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento (American College of Sports Medicine, 19980, os cientistas enfatizam cada vez mais a necessidade da atividade física como parte fundamental dos programas mundiais de promoção da saúde. Não se pode pensar hoje em dia em ``prevenir`` ou minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das medidas gerais de saúde, não se inclua também a atividade física. Essa preocupação tem sido discutida não somente nos chamados países desenvolvidos, como também nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.
No Brasil, nas últimas décadas têm surgido grupos interessados em estudar a influência da atividade física nos indivíduos adultos da meia-idade e idosos, como é o caso do grupo da Faculdade de Educação Física e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, liderado pela Profa. Dra. Silene Okuma, que vem analisando a influência do programa de autonomia para atividade física dirigido à manutenção em diferentes aspectos biológicos e psicossociais dos indivíduos nessa faixa etária. Podemos citar outros grupos importantes nesta área, como, o Prof, Dr. Alfredo Faria Junior, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, como o Projeto IMMA: ``Idosos em Movimento – Mantendo a Autonomia`` (Faria Junior, 1997), dentre outros.
Diante desta realidade ver-se a necessidade do idoso praticar alguma atividade física, a fim de melhorar sua qualidade de vida, a partir daí citamos o ``treinamento de força`` como uma das formas que pode propiciarão idoso uma melhor qualidade de vida (Haddad, 1986, p.31).
Pode ser que você pense que está velho demais para se beneficiar com o treinamento de força, mas, não se deve levar isso em consideração. Pesquisas com homens e mulheres de 60, 70 e 80 anos revelaram melhorias em suas capacidades funcionais, em conseqüência de um programa básico de um treinamento de força. De fato, o Journal of the Medical Association relatou ganho significativo de força muscular e função física em pessoas com 90 anos que praticavam exercícios de treinamento de força! Como afirmou o doutor William Evans, um dos principais pesquisadores da prática de exercícios e envelhecimento: ``Nunca se é muito velho para se exercitar, mas, provavelmente, se é muito velho ao não se exercitar``.
Referências:
American College Of Sports Medicine. Position stand on exercise and physical activity for older adults. Med Sci Sports Exerc.1998.
HADDAD, E.G.M.A Ideologia da Velhice, São Paulo, 1986. 31p.
WESTCOTT, Wayne; BAECHLE, Thomas. Treinamento de Força para a Terceira Idade, 1.ed. São Paulo: Manole, 2001.